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Você aceitaria ser cuidado da mesma forma que você cuida do outro?


Andréia Cristina Kuss de Souza


O cuidado entregue na sua organização de saúde é seguro? O cliente recebe o serviço que busca, em cumprimento de todos os requisitos de qualidade que são informados no momento da contratualização do serviço de saúde? Quem ouve o cliente dentro da sua unidade de saúde? Essas são algumas inquietações às quais devemos nos ater quando pensamos no tipo de cuidado entregue pela nossa instituição de saúde.

A temática sobre a segurança do paciente tem se desenvolvido de maneira sistemática e estratégica, difundindo-se desde o Ministério da Saúde até chegar às organizações de saúde de todo o país. Assim, trazem em sua cadeia programas e metas de segurança que são refletidos no cuidado direcionado aos pacientes. O Programa Nacional de Segurança do Paciente - PNS, instituído no Brasil pela Portaria GM 529/2013, é um dos pilares de sustentação para a formulação de estratégias e ações que reduzam a um mínimo aceitável os riscos de danos desnecessários, associados ao cuidado, envolvendo os pacientes e familiares nas ações de segurança e definindo a cultura de segurança institucional.

Em julho de 2013, foi publicada a RDC 36, que instituiu a criação dos Núcleos de Segurança do paciente, os NSP, suas competências, fluxos e vigilância das notificações dos eventos adversos, contribuindo com robustez e boas práticas de segurança, nas organizações de saúde.

Em um dos textos publicados pela Vigilância Sanitária - VISA, alguns números foram discutidos, e destes, convido a refletir sobre um dado que nos chama a atenção pela representatividade: 66% dos eventos adversos que foram notificados em um determinado ano, após investigados, foram classificados como eventos evitáveis. Então, concluímos que mais da metade dos eventos poderiam ser evitados com o mapeamento dos processos e a identificação dos riscos em conjunto com as equipes das áreas, implantando barreiras para que todos os envolvidos pudessem identificar os gatilhos antes da ocorrência do evento e, por fim, envolvendo os clientes em todo esse processo. Inserir os clientes nos protocolos internos de segurança do paciente pode fazer com que se sintam pertencentes ao processo e compreendam sua importância no fluxo assistencial.

Olhe para o que foi exposto: Você profissional de saúde, aceitaria ser cuidado da mesma forma que cuida do outro? Diante de um cenário em saúde abrangido por legislações que regulamentam a prestação do cuidado seguro, em tempos de constante crescimento profissional, em que as instituições de saúde buscam a execução de processos seguros, num momento de crescente investimento em atualização e educação permanente das equipes multiprofissionais, atualizações reflexivas em relação ao método de cuidado das organizações, estamos no caminho certo para a oferta de um cuidado humano e seguro.

Avançamos no compartilhamento do planejamento do cuidado com os pacientes e seus familiares, e estamos amadurecendo nas comunicações dos eventos aos familiares. Penso que sim, nós estamos prontos para receber o que estamos ofertando.


*Formação enfermagem e Obstetrícia, especialista em Urgência e emergência. MBA em Auditoria dos serviços de Saúde. Diretora na ACKuss Consultoria e Gestão em Saúde. Coordenadora do Curso Master em Qualidade e Acreditação em Saúde do ITH. Avaliadora do sistema ONA. Consultora e Assessora, com expertise para processos de acreditação e implantação de serviços de gestão de qualidade e segurança do paciente. https://akussesouza.webnode.com/